A cerâmica, feita de argila, é um recurso natural finito que demanda cuidado em sua extração e utilização. Descartar uma peça com defeito significa desperdiçar não apenas o material, mas também o tempo, a energia e a criatividade dedicados à sua criação.
Promover o consumo consciente é essencial para preservar nossos recursos naturais e reduzir o impacto ambiental. Ao ressignificar peças, contribuímos para a sustentabilidade, evitando o desperdício e valorizando todo o processo artesanal.
Cada peça ressignificada representa mais do que uma solução criativa: é uma mensagem poderosa sobre o valor de cada objeto, mostrando que até o que parece imperfeito pode renascer com propósito e beleza.




















Essa coleção é um manifesto. Não de revolta, mas de constatação. Um olhar maduro e poético sobre o legado da colonização portuguesa no Brasil – o que nos foi tirado, o que nos foi imposto, o que nos foi deixado – e o que, a partir disso, conseguimos recriar.
Minha cerâmica carrega um passado que ainda reverbera, mas que agora eu ressignifico com as próprias mãos. A peça-mãe que apresento na exposição do Oeiras Ceramic Art, em solo português, traz gravada em sua superfície o manifesto que guia todas as outras:
“O mesmo mar te levou agora traz
não só o pó que Carlos Joaquina recusou
mas também a minha brasilidade.
O colorido da minha música.
A umidade da flora tropical.
O calor do meu jeito de ser. Obrigada pelo passado que escreveu meu país, pois o que sou se deve – em parte – a você,
e ao legado que sua colonização me deixou.
Sem você, talvez eu não fosse tão livre.
Nem tão resiliente.”
As peças da coleção Mar Salgado refletem: O ouro banhado de escravizado e lavado embora, a exuberância da natureza brasileira; o profundo da azulejaria portuguesa, o contraste entre a brancura europeia idealizada na porcelana e os tons queimados da argila grês, a tensão entre a cultura erudita e a popular, entre o requente da pintura cerâmica e a nudez expressiva da argila crua.
É uma travessia cerâmica. É o mar que leva e traz. É o barro que moldado por uma alma que – como diz o poeta, Fernando pessoa – não é pequena.
“Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.”
Fernando Pessoa
Álvaro Campo
O círculo é uma das formas mais antigas e universais da humanidade.
Presente nas nos rituais sagrados e na natureza que nos cerca, ele simboliza o ciclo da vida: começo, meio e recomeço.
Nesta coleção, o círculo se apresenta nas peças como um convite à contemplação dos movimentos que compõem nossa existência — nascimento, crescimento, transformação e renascimento.
Ao mesmo tempo, o círculo é também um símbolo de prosperidade e sucesso. Ele nos lembra que o caminho da realização não é linear, mas contínuo, cheio de voltas e retornos que nos fortalecem. Cada peça da coleção é, assim, um amuleto de inteireza e plenitude.
Conceito estético:
Formas circulares puras ou fragmentadas.
Volumes que remetem a rodelas, espirais, discos e anéis.
Superfícies que exploram a dualidade: acabamento rústico versus polido, opaco versus brilhante.
Inspiração:
O círculo da vida (natureza, ciclos do tempo, ancestralidade).
O círculo do sucesso (completude, abundância, conquista).
Mensagem da coleção:
Cada peça é um lembrete de que estamos em constante movimento, girando em torno do que nos dá sentido. Assim como o barro se molda no torno, a vida se molda nos ciclos — e é nesse movimento circular que encontramos equilíbrio e prosperidade.





























Aquilo que cura a alma
Trocadilho com Curaumilla – local no Chile onde fui fazer uma residência de Cerâmica e fiquei encantando com as cores dos veios da terra nas escarpas, a formação do solo, os sedimentos depositados uns sobre os outros, assim como os conhecimentos adquiridos através de estudos, vivência e trocas, na cerâmica e na vida.
Cerâmica vem da argila, argila está na terra, a terra local era colorida, dava para ver as camadas… assim como em Algarve, quando passeamos de barco e admiramos as formações rochosas, estava com a família, com amigos… curtir o momento.
O que cura a sua alma, o que te faz feliz?
A mim é a companhia das pessoas queridas, da família, dos amigos, os bons momentos que partilhamos juntos, ao redor da mesa, dividindo a comida e as risadas.
É isso que levarei da vida: as relações que cativei, os laços que criei e o legado que deixei com meu trabalho,
Por isso Curauma tem peças que usamos na mesa, no trabalho, e no jardim… sim, porque amo a natureza, sentir o cheiro da terra molhada de manhã, é um cheiro com cor, com cor verde… já viu cheiro ter cor? Eu vejo isso toda manhã quando saio pra caminhar.
Num dia exaustivo de trabalho, olho pra fora e vejo as plantas, caminho descalça e sinto a grama acariciando meus pés, escuto as maritacas no final da tarde, e a dor nas costas de ficar no torno desaparece. Elas são cara de pau, fazem festa na minha mangueira e nem me convidam.
Se reúnem pro happy hour todo final de tarde, e se deliciam com as mangas.
Igual a mim, a nós: nos reunimos com os amigos, rimos, falamos alto… é delicioso, nos deliciamos e sorvemos esses momentos.
Momentos que quero eternizar na argila queimada, que mostra a sua cor. Pouco esmalte, somente o necessário pra peça ser usada sem acúmulo de sujeira.
com estampas das folhagens, flores e animais que me rodeiam, em formatos que servem a mim e aos meus amigos para curtir os bons momentos à mesa, a mesa que está na varanda do jardim, e nos propicia esse cenário lindo e cheiroso, com cheiro de verde
O trabalho também me cura, me alenta, me distrai e me faz querer ser melhor, aprender, me desenvolver, é quase um vício…
Linha exclusiva desenvolvida para Galeria Ligia Testa Art.
Ishidô (ichie) = Nada acontece duas vezes iguais, tudo é único.
Num período de muitas guerras e muita ostentação por parte dos samurais (que eram a elite da época), surgiu o zen budismo, como movimento de reação à esse materialismo exacerbado.
A filosofia japonesa do zen budismo ressaltava a beleza de simplicidade, da humildade e despojamento. Uma prática comum era a cerimônia do chá. A cabana onde a cerimônia do chá era realizada simbolizava um retiro espiritual. Por isso o caminho para se chegar na cabana (conhecido como röji) era um percurso que significava o distanciamento de uma realidade cruel para um mundo sublime, relacionado à beleza e à conexão com a natureza.
Esses princípios embasam a minha coleção básica Wabi Sabi, e receberam uma vertente especialmente desenvolvido para a galeria Ligia Testa, ARqtus. Em que a estética da beleza ganha novo viés, com linhas simples e austeras, áreas chapadas e opacas, formas irreverentes e ao mesmo tempo limpas, sem rococós.
O menos é mais.
As peças de cerâmica são quase em sua totalidade nuas (sem esmalte), expondo a sua beleza natural. Com isso proporciona nossa reconexão com a terra. As poucas áreas esmaltadas protegem o necessário para que a peça possa ser utilizada e para criar um contraste cromático que ressalta o design da cerâmica.
A cultura humana está imbricada com a Arte Cerâmica, porque ela vem da terra, é argila que se vai misturar, amassar, modelar, tornear, esculpir, pintar e pôr no forno. Para mim, a cerâmica feita a mão é arte, é encantamento, seja ela funcional (pratos, jarras) ou contemplativa (esculturas). É mágica: pois o calor do forno sela o processo transformando em cerâmica as idéias do artista.
A linha Ishidô é de venda exclusiva da Galeria Ligia Testa, que tem orgulho e honra de representar peças tão sublimes.



















A inspiração dessa coleção é a beleza e a exuberância da flora e fauna brasileira. O cenário que me cerca diariamente e me inspira. Aromas, cores, sabores.
Ao mesmo tempo que nossa flora é grandiosa, com espécies gigantes que impressionam pelo tamanho e exotismo, os detalhes são sublimes e delicados. Tentei representar esse contraste com filetes e detalhes em ouro 18k
Um apelo bacana dessa coleção seria a forma como buscamos inspiração para o trabalho, a linha poética.
A coleção é inspirada na celebração da vida em todas as suas formas. Ela reúne elementos da mata atlântica, o coelho como símbolo de procriação, formas que remetem à explosão do início do universo, cores vibrantes e o esmalte aplicado em gotas e respingos.
O nome se conecta à canção Viva La Vida, do Coldplay, que faz referência à última obra de Frida Kahlo. A frase marcou Chris Martin, e o álbum onde a música está inserida aborda temas ligados a guerrilhas, forças revolucionárias e uma perspectiva anti-autoritária.
A letra narra, em primeira pessoa, a trajetória de uma figura de poder que perde sua autoridade. Os versos trazem referências bíblicas, históricas e à revolução francesa, mostrando a queda desse personagem, suas contradições e o contexto de transformação que envolve a música — e que serve de pano de fundo para essa coleção.























ECO é uma coleção profundamente inspirada pelas minhas primeiras experiências com a cerâmica, momentos em que, ainda muito pequena, acompanhava minha mãe e minha tia enquanto elas pintavam porcelana. Essas lembranças, repletas de carinho e nostalgia, são a essência desta coleção.
Nessa coleção, revisito a antiga técnica de sobreposição de overglaze, aplicando esmaltes, lustres, ouro, platina e decalques sobre peças previamente esmaltadas. As quais são queimadas a 780 graus, em forno cerâmico conforme a aplicação de cada um dos materiais.
O material utilizado é adequado para utilitários que receberão alimentos e bebidas. Mas não deve ser levado à máquina de lavar louça e tampouco ao micro-ondas, devido à delicadeza da pintura.
Através dessas camadas, dou vida a imagens que emergem do meu subconsciente, traduzindo memórias afetivas em cada detalhe. Cada peça é um reflexo desse processo de trazer à superfície cerâmica, com leveza, delicadeza e um profundo afeto, as emoções que me acompanham desde a infância.
Otomanos nasceu da rica experiência que a Turquia me proporcionou: de volta ao Brasil mas ainda sob o feitiço das cores vibrantes do mar e a proteção do olho turco. Essa coleção corporifica a experiência inesquecível na cultura turca.
Explorando as infinitas nuances do azul: o mar sereno, a proteção do olho turco e a arte da cerâmica…. uma paleta de encantamento em cada detalhe.
Tomar café na Turquia é um ritual compartilhado com amigos, onde histórias são trocadas e laços são fortalecidos.
A coleção Otomanos está de casa nova: Na serra da Mantiqueira, na charmosa Campos do Jordão, no maravilhoso hotel ORT, que figura pelo quarto ano consecutivo entre os melhores hotéis do mundo….. que ceramista não deseja melhor destino para suas criações?



























s.m.
Ato público que se faz a alguém para revelar admiração e respeito.
Homenagem.
Aos ancestrais indigenas o meu agradecimento pelo valioso legado cultural que nos deixaram.
Wabi-Sabi é uma concepção oriental que valoriza a espiritualidade e a simplicidade.
Expressa o puro estado de ser no momento presente.
A estética das minhas obras busca a relação entre o design e a natureza intrínseca das mesmas, no seu estado mais puro, evitando elementos desnecessários e possibilitando a liberdade de expressão para além de uma só funcionalidade do objeto.
A minha proposta é conceber cerâmica, o destino da peça, é livre arbítrio de quem a possui.







não se trata de compra e venda, mas de desenvolver juntos um trabalho que atenda às necessidades de maneira elegante e com design agradável